Marca registrada da culinária italiana, a pizza ganhou diversas adaptações em território brasileiro, com sabores e modos de servir que são sucesso

A pizza é um dos pratos mais famosos do mundo, atravessando fronteiras e o tempo para conquistar todo tipo de paladar. Ao longo dos séculos, ela ganhou adaptações que refletem a diversidade de cada cultura na qual está inserida. No Brasil, esse fenômeno não é diferente. Considerada a “Rainha do Jantar de Fim de Semana”, a pizza foi abraçada pelos brasileiros desde que a receita foi replicada em território nacional. Para se ter ideia, o país registrou, em 2025, aproximadamente 160 mil pizzarias ativas, que juntas vendem 204 milhões de unidades por mês, segundo informações da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Antes de se tornar esse ícone afetivo que reúne a família, a pizza nasceu de forma simples. Ao contrário da crença popular, ela não é de origem italiana. Tudo começou no século VI a.C., quando povos do Mediterrâneo, como egípcios e gregos, inventaram a receita de uma espécie de pão árabe com uma massa plana, bem fina e em formato de disco. O alimento tinha como ingredientes água e farinha de trigo. O pão, que no futuro seria chamado de pizza, chegou à Itália somente no século XVIII, quando a primeira pizzaria foi inaugurada em Nápoles. O prato logo se tornou popular entre as camadas mais pobres da sociedade. Muitas pessoas acreditam que os italianos foram os criadores da receita justamente por começarem a adicionar novos ingredientes nesse período, como o molho de tomate e o queijo muçarela. A popularidade da pizza aumentou em todo o mundo depois da Segunda Guerra Mundial, quando soldados americanos e europeus consumiram o alimento durante o combate e o levaram para outras partes do mundo.

Inovações brasileiras

A história da pizza no Brasil teve início com a imigração italiana, quando imigrantes trouxeram as receitas para o país. Em 1910, foi inaugurada, no bairro do Brás, em São Paulo, a primeira pizzaria nacional: a Cantina Santa Genoveva. Mas o sucesso entre a classe média só veio na década de 1950. Para se ter ideia, São Paulo é, hoje, a segunda cidade que mais consome o alimento no mundo, atrás apenas de Nova York. O sucesso foi tanto que a redonda ganhou até uma data para ser chamada de sua, o dia 10 de julho. A data foi instituída em 1985, após um concurso do estado de São Paulo idealizado pelo então secretário do Turismo, Carlos Luiz de Carvalho, que, à época, elegeu as 10 melhores receitas paulistas. Assim como ocorreu em outros lugares, as pizzas brasileiras ganharam suas próprias características, que vão muito além de mudanças na receita. O rodízio, por exemplo, é uma criação nacional e combina com a identidade do país, proporcionando que o cliente da pizzaria pague um preço fixo e prove diversos sabores. Hoje, essa maneira de servir é imitada mundo afora. Embora não haja unanimidade sobre quem criou a pizza com borda recheada, é inegável que essa inovação fez sucesso e também se consolidou no país. Entre os ingredientes mais utilizados para turbinar a receita estão o catupiry, requeijão, queijo cheddar e até mesmo gorgonzola. Há pizzarias que ainda inovam no formato da borda. Algumas são feitas como gravatas-borboleta, outras em formato de estrela. Uma das mais populares é a borda vulcão, com o recheio escorrendo levemente pela pizza.

Com DNA tupiniquim

Ao contrário do que o nome sugere, a pizza portuguesa é uma criação brasileira, sendo uma das mais conhecidas do público. Ela surgiu na década de 1960 como forma de homenagear a culinária lusitana, usando ingredientes típicos das receitas de Portugal, como ovo cozido, cebola e presunto. O nome “portuguesa” também foi uma forma de homenagear os sabores lusitanos, ao mesmo tempo em que criava uma identidade única para se destacar nos cardápios. Outro clássico nacional é a pizza calabresa, inventada na Cantina Castelões, em São Paulo. É feita com carne de porco e gordura e ganhou o nome devido ao condimento da pimenta calabresa, destacando-se como uma das mais pedidas nas pizzarias brasileiras. A pizza de frango com catupiry também é de origem nacional. A combinação perfeita entre dois ingredientes principais surgiu com a ideia de um representante comercial da empresa Catupiry. Nos anos 1970, ele sugeriu a uma das maiores pizzarias de São Paulo que usasse o requeijão nas pizzas. O pizzaiolo, ao ver que o novo ingrediente não perdia sua consistência ao ser submetido a altas temperaturas, decidiu combiná-lo com frango desfiado, criando, assim, um dos principais sabores dos cardápios de todas as pizzarias do país. O Brasil também é pioneiro na produção de pizzas doces. Elas começaram a ganhar destaque nas pizzarias na década de 1980, quando o setor estava em crescimento e os empreendedores buscavam formas de inovar e atrair mais clientes. A ideia surgiu da necessidade de oferecer uma sobremesa icônica que diferenciasse as pizzarias de outros restaurantes. A combinação faz sucesso até hoje. A pizza de chocolate é tradicionalmente servida na reta final do rodízio da maioria dos estabelecimentos. Além dela, a pizza Romeu e Julieta (de queijo com goiabada) é outro sucesso, que torna a combinação entre salgado e doce ainda mais suculenta.