Indicados para os dias ensolarados e em combinação à mesa com pratos pantaneiros, os Vinhos Verdes do Minho são patrimônio de Portugal
Se um dia os Vinhos Verdes, uma Denominação de Origem Protegida (DOP) da região do Minho, no noroeste de Portugal, foram vistos como uma bebida sem grande expressão, atualmente sommeliers e enólogos são unânimes ao destacarem as qualidades desses rótulos. A acidez marcante e o teor alcoólico, geralmente mais baixo, dão a sensação de frescor reforçada pela efervescência natural, o que resulta em um vinho ideal para dias ensolarados. Uma das denominações mais antigas da Europa, a Região dos Vinhos Verdes foi oficialmente reconhecida em 1908, indo do litoral atlântico para o interior, entre os rios Minho, ao norte, e o Douro, ao sul. Uma curiosidade é que a nomenclatura relacionada aos Vinhos Verdes não está relacionada com as cores da bebida, já que são produzidos vinhos tintos, brancos e rosés, mas sim com as características do território, repleto de florestas e com uma vegetação verdejante. Segundo Luiz Roberto Correa Lima, sommelier Adega Cave Noble BigLar, a esse fato somam-se os antigos costumes dos agricultores que, com sua viticultura de subsistência, conduziam as videiras na forma vertical, o que proporcionava que elas atingissem alturas enormes com copas bem fechadas contribuindo para tornar a região ainda mais verde. “Este método de condução impedia o contato direto dos raios solares sobre os cachos das uvas, o que dificultava a maturação das bagas que eram colhidas com baixo teor de açúcar para a vinificação, resultando em vinhos mais ácidos e duros. Esse leve frizz foi o que levou os agricultores a dividirem seus vinhos em duas categorias: verdes e maduros. Aliás, este fato é corroborado por trechos da legislação do início do século XX. Essas são vertentes que podem explicar a origem secular do nome Vinhos Verdes”, afirma.
Vinhos verdes para degustar
• 1 Vinho Palácio da Brejoeira Alvarinho Branco CVRVV
• 2 Vinho Nostalgia Alvarinho Branco VV Moncão e Melgaço
• 3 Vinho Maria Bonita Loureiro Branco CVRVV
• 4 Vinho Muros Antigos Escolha Blend Branco CVRVV
• 5 Vinho Lindeza Blend Rose CVRVV
• 6 Vinho Adega de Moncão Tinto VV Monção e Melgaço
Vinhos plurais
O painel de uvas autóctones na região do Minho é abrangente e fantástico, explica Luiz Roberto, o que aponta a qualidade de castas como a Alvarinho, Arinto, Avesso, Azal, Loureiro e Trajadura, para os vinhos brancos, e as uvas Averelhão, Espadeiro, Padeiro e Vinhão para os vinhos tintos, enquanto os rosés também se utilizam dessas uvas. Além do mais, atualmente são autorizados cultivos de castas francesas como a Chardonnay e a Sauvignon Blanc. O sommelier explica que os vinhos brancos são aqueles que atualmente proporcionam à região sua notoriedade internacional, pelo seu acentuado caráter e forte consistência qualitativa, mas que o Minho apresenta diferentes perfis de vinhos. “Os rosés acompanham a onda que os vinhos brancos vêm surfando, tendo como característica principal o frescor, enquanto os tintos, curiosamente, foram os que, nos primórdios (século XVI), deram fama à região. Por suas características singulares, gradativamente recupera seu prestígio”, afirma. Os perfis diversos dos vinhos são definidos pelos microclimas de cada sub-região, pelas castas utilizadas ou pelos processos de vinificação, explica Luiz Roberto. “É possível dizer que a vitivinicultura de Portugal é dominada pela arte do blend, porém a Região dos Vinhos Verdes, principalmente a sub-região de Monção e Melgaço, foi a que primeiro procurou evidenciar as características específicas de cada casta, engarrafando-as em separado, com destaque para as variedades Alvarinho e Loureiro”, conta. Os vinhos da região podem ser divididos, em uma primeira abordagem, em dois perfis distintos. O mais tradicional são os vinhos de baixo teor alcoólico, ligeiros e delicados, por vezes com algum gás carbônico e leve doçura frutada, enquanto o desenvolvimento de novos modelos enológicos permitiu a crescente difusão de um perfil mais ambicioso, em que uvas de alta qualidade são fermentadas em inox ou barrica. “Desse modo, originam vinhos brancos intensos e encorpados, mantendo toda a frescura e elegância associada a um grande potencial de longevidade”, diz Luiz Roberto. “Há também o verde tinto mais tradicional, de álcool baixo, cheio de cor, sólido tanino e viva acidez. Ele tem progressivamente deixado espaço a outros modelos tintos, em que a cor mais aberta, a fruta elegante, o polimento tânico e a frescura equilibrada são características dominantes”.
Luiz Roberto Correa Lima, sommelier da Adega Cave Noble BigLar
“O BigLar possui um painel com excelentes Vinhos Verdes provenientes de produtores sérios e reconhecidos internacionalmente, e a equipe de sommeliers está pronta para orientar a melhor escolha”
Selo de garantia
Ao escolher um Vinho Verde para explorar novos sabores, é muito importante verificar se, no verso da garrafa, está estampado o selo de garantia da denominação, um elemento oficial de certificação que assegura a autenticidade do vinho produzido na região, deixando apto o uso da Denominação de Origem Protegida dos Vinhos Verdes. A presença desse selo numerado, emitido pela comissão responsável pela regulação da bebida na região, indica que foram seguidas durante a produção as normas legais e técnicas, desde a plantação das videiras até a confecção da bebida. Isso é importante para garantir a qualidade mínima dos vinhos, o que valoriza o patrimônio regional. “A Adega Cave Noble BigLar possui um painel com excelentes Vinhos Verdes provenientes de produtores sérios e reconhecidos internacionalmente, e a equipe de sommeliers está pronta para orientar a melhor escolha”, afirma Luiz Roberto.

Harmonização cuiabana
Uma bebida reconhecidamente versátil e identificada com uma região que está à beira do Oceano Atlântico, os Vinhos Verdes do Minho harmonizam muito bem com peixes, uma combinação interessante para os moradores de Cuiabá e do Mato Grosso. “Em Cuiabá, o vinho verde vem se tornando o queridinho número um do consumidor, muito pelo frescor e por ser um vinho muito consumido no horário do almoço, em dias ensolarados, em beiras de piscina, sempre acompanhado por nossas iguarias regionais ou pratos mais elaborados”, esclarece o sommelier Luiz Roberto, do BigLar. Segundo ele, os peixes regionais são combinações perfeitas, como a ventrecha de pacu frito, um par perfeito com vinhos brancos de blend, mais frescos e ligeiros, assim como as iscas de filé de pintado frito acompanhado com molho tártaro. “A mojica de pintado com pirão, prato pantaneiro, pede um branco mais estruturado, um 100% Alvarinho ou Loureiro. Já a piraputanga ou o pacu assado na brasa, recheados com farofa de couve, devem ser acompanhados dos vinhos com passagem por barricas, como os Alvarinhos de Monção e Melgaço. Por outro lado, o delicioso cozidão cuiabano, suculento, carregado de sabor e cheio de ingredientes, pede um vinho verde tinto”, completa.
