Em vinícolas charmosas e históricas ao redor do mundo, a experiência de saborear um vinho é complementada por inovação, arquitetura e paisagens deslumbrantes

Uma garrafa de vinho vai além do sabor. A história, as paisagens deslumbrantes e a paixão estão presentes em cada taça, fazendo com que cada lugar tenha características únicas na produção dessa bebida tão emblemática e com milhões de apreciadores ao redor do mundo. Visitar um vinhedo reconhecido mundialmente pode ser uma experiência sensorial marcante, principalmente quando se une natureza, arquitetura e hospitalidade em um mesmo local. Da tradição à inovação, são diversos fatores que tornam a vivência exclusiva e inesquecível. Para a sua próxima viagem, você pode se inspirar nos destaques do “The World’s 50 Best Vineyards 2025”, um importante guia que reúne os destinos enoturísticos mais completos do mundo segundo especialistas internacionais. A jornada começa nos tradicionais terroirs da América do Sul, passa pelos premiados vinhedos californianos e aterrissa nas prestigiadas regiões produtoras de vinho da Europa.

Tesouros sul-americanos

De acordo com o guia, a melhor vinícola do mundo está no Chile. A VIK, localizado no Vale do Millahue, conhecido como “Lugar do Ouro”, é um vinhedo com estrutura moderna e inconfundível. De fato, a arquitetura com um teto feito de titânio banhado a ouro é capaz de impressionar os visitantes logo na chegada. Mesmo com a modernidade, a sustentabilidade é priorizada, já que Alex e Carrie Vik, seus fundadores, sempre se preocuparam em produzir vinho de qualidade sem prejudicar a natureza ao redor. O espaço sofisticado em meio à Cordilheira dos Andes oferece acomodações com experiências gastronômicas da mais alta qualidade, degustações, passeios a cavalo ou de bicicleta e uma piscina de borda infinita. Os métodos manuais empregados na produção refletem na qualidade dos vinhos, que são descritos como “elegantes, voluptuosos, complexos e equilibrados”. A principal característica é a presença de uvas tintas clássicas do corte bordalês, que são utilizadas em diferentes contextos para agradar a todos os paladares. A América do Sul ainda tem outra vinícola entre as cinco melhores do mundo. No departamento de Maldonado, no Uruguai, está a Bodega Garzón, em 4º lugar no guia. Também colocando a sustentabilidade em primeiro lugar, a Bodega tem uma adega projetada para minimizar o impacto ambiental. Além disso, ela oferece atividades diversas aos visitantes, como caminhadas, passeios a cavalo e até mesmo um campo de golfe. Para completar, o restaurante do renomado chef argentino Francis Mallmann dá um toque especial à culinária do local. Com uma produção diversa, uma das principais uvas é a Tannat, símbolo uruguaio. Vinhos brancos, rosé, tintos e espumantes são divididos em categorias, cada uma expressando traços específicos dos terroirs locais.

Vinhos e sossego

Subindo no mapa, nos Estados Unidos é possível encontrar o melhor vinhedo da América do Norte, segundo o guia. O Jordan Vineyard & Winery está localizado em Healdsburg, na Califórnia, e leva o estilo francês para solo norte-americano. É um lugar ideal para quem prefere experiências exclusivas e reservadas, com um tom intimista característico da região de Sonoma. A simplicidade e sofisticação transformam cada passeio em uma vivência única, com tours guiados pela propriedade e o oferecimento de acomodações como chalés a seus visitantes. A vinícola é mais uma que oferece atividades luxuosas a seus visitantes sem abrir mão da sustentabilidade. Mesmo com a propriedade abrangendo 485 hectares, pouco menos de 50 são usados para o plantio, deixando as demais terras livres para auxiliar na preservação da fauna e da flora locais. Os principais vinhos produzidos são dois. Um deles é tinto, à base de Cabernet Sauvignon, com a adição de castas como Cabernet Franc, Petit Verdot e Merlot, que variam conforme a safra. O outro, branco, é feito a partir de Chardonnay, com inspiração no frescor e acidez da região da Borgonha, na França.

Séculos de Riesling

Atravessando o Oceano Atlântico rumo ao Velho Continente, o melhor vinhedo está na Alemanha. O Schloss Johannisberg é um palácio neoclássico localizado em Rheingau, famosa região vinícola próxima ao Rio Reno. O primeiro registro documentado que faz menção a Johannisberg é do ano de 817, quando o imperador Luís, o Piedoso, adquiriu vinhas no riacho Helisa, atualmente chamado de Elsterbach. Inicialmente um mosteiro medieval, o local passou por mudanças intimamente ligadas à história do continente europeu e carrega uma bagagem que poucos destinos ostentam. Mas foi em 1720 que ocorreu um marco histórico, pois foi quando as uvas Riesling foram plantadas em toda a sua área, tornando o mais antigo vinhedo dedicado exclusivamente a elas. Schloss Johannisberg é um pedaço importante da história da Alemanha e da Europa. Uma visita inclui um tour pelo palácio do século 18, refeições no moderno restaurante Schlossschänke, passeios pelas adegas e ainda o acesso a uma biblioteca subterrânea que contém os vinhos mais preciosos da propriedade, com o mais antigo datado de 1748.

Elegância francesa

Atravessando a fronteira com a França encontra-se a Maison Ruinart, na cidade de Reims. Fundada em 1729 por Nicolas Ruinart, esta é a primeira casa de Champagne formal do mundo. Um dos destaques do vinhedo está abaixo da terra. As Crayères, antigas minas de giz subterrâneas, são usadas como adegas por terem as condições ideais para o envelhecimento de vinhos. Os túneis têm 8 quilômetros de extensão e 38 metros de profundidade, sendo divididos em três níveis. A colina e as minas de Saint-Nicaise foram reconhecidas como Patrimônio Mundial pela Unesco, em 2015. Uma visita guiada às Crayères costuma durar cerca de duas horas, seguidas pela degustação de vinhos selecionados. Além das bebidas, a experiência gastronômica, aliada às artes visuais, contribui para tornar o local único. Os elegantes champagnes são baseados nas uvas Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier. Ainda em território francês, em Bordeaux, está o Château Smith Haut Lafitte. Há registros do cultivo de videiras nessas terras desde a Idade Média, mais precisamente no século 14, mas a ascensão da propriedade como uma das melhores vinícolas do mundo se deu nos últimos 30 anos. Posse da família Cathiard, o Château junta a sofisticação, com um hotel cinco estrelas e um restaurante que está no Guia Michelin, à biodiversidade, com ações que reduzem sua pegada de carbono e garantem um contato próximo com a natureza. A produção de vinhos é diversa, e os destaques são vinhos tintos produzidos à base de Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, além de refinados vinhos brancos a partir de Sauvignon Blanc.

Horizontes da Cantábria

Cerca de 400 quilômetros a sudoeste, adentrando a Península Ibérica, mais especificamente em Laguardia, na Espanha, está localizada a Bodegas Ysios. O nome tem tudo a ver com a vitivinicultura. Ysios é a junção dos deuses egípcios Osíris, da vegetação e agricultura, e Ísis, da força criativa e fertilidade da natureza. Uma das mais novas na lista, foi projetada pelo renomado arquiteto Santiago Calatrava e fundada em 2001. O projeto arquitetônico é único e um dos destaques de Ysios, com um formato ondulado que proporciona um cenário de tirar o fôlego. Além das paisagens paradisíacas da Serra da Cantábria, os tours pelos vinhedos e as degustações proporcionam uma jornada pelo que há de melhor no enoturismo da Rioja Alavesa, com tradição e tecnologia em um mesmo lugar. O estilo predominante é o de vinhos tintos, mas também são produzidos brancos e rosés. A principal variação é a Tempranillo, incluindo produções limitadas, e são usados métodos modernos no cultivo, mas mantendo a essência única dos terroirs da região.