Agosto marca o início da temporada dos vinhos brancos, um estilo que combina com o aumento das temperaturas

Celebrados por sua leveza, frescor e capacidade de realçar uma variedade de pratos, os vinhos brancos são uma das bebidas mais antigas da história e vêm conquistando paladares há milhares de anos. Eles também se destacam por ser uma ótima opção para iniciantes no mundo da enologia.

Acredita-se que as primeiras produções de vinhos brancos tiveram início por volta de 1.000 a.C., no Egito, onde o consumo era restrito ao faraó e à elite da sociedade egípcia. Já na Idade Média, a produção de vinhos se espalhou pela Europa, onde houve o aprimoramento de novas técnicas. Um exemplo é a utilização de barris de carvalho para conservação.

Devido a sua importância para o mundo da vitivinicultura, 4 de agosto foi escolhido nos Estados Unidos para ser o Dia Internacional dos Vinhos Brancos. De acordo com o sommelier do BigLar, Luiz Roberto Correa Lima, a bebida vive um momento de reconquista da preferência dos consumidores no mercado.

“O mundo dos vinhos brancos é um verdadeiro fascínio de cores, aromas e sabores. Seu visual, sua paleta de aromas, leveza, frescor, acidez, mineralidade, frizz e sabor, aliado à sua versatilidade nas harmonizações com a comida, são características que o tornam extremamente agradáveis ao paladar da maioria dos consumidores, motivo pelo qual ele vem reconquistando gradativamente a preferência mundial, fato comprovado em 2025, quando assumiu a liderança da produção e consumo mundial”, explicou.

A data comemorativa ainda coincide com a reta final do inverno no hemisfério sul, período em que as temperaturas voltam a aumentar na região de Cuiabá. O clima ajuda a tornar os vinhos brancos ainda mais saborosos. 

“O mês de agosto historicamente faz a população de Cuiabá experimentar um clima de calor extremo muito propício para o consumo dos vinhos brancos que, por suas características refrescantes, proporcionam uma agradável sensação de frescor e alegria”, comentou o sommelier.

Para diferentes ocasiões

Um dos maiores atrativos dos vinhos brancos está na facilidade de harmonização. Segundo Luiz Roberto, esse perfil permite acompanhar pratos variados sem sobrecarregar o paladar.

“A versatilidade do vinho branco na harmonização com comidas é enorme, principalmente com saladas, entradas, canapés, queijos frescos, carnes brancas, peixes do mar e do rio, sushis e sashimi”, afirmou.

Camarões, massas com molhos leves, risoto de legumes e a culinária mediterrânea de forma geral também são boas opções. As temperaturas mais quentes ainda permitem explorar harmonizações mais descontraídas, como por exemplo um Sauvignon Blanc gelado em um almoço de família.

A temperatura de serviço merece atenção. Os rótulos mais leves devem ser servidos entre 6 °C e 8 °C, enquanto os mais encorpados ficam melhores entre 10 °C e 12 °C. Em almoços e encontros ao ar livre, o ideal é manter a garrafa em um balde com gelo e água para conservar o frescor. Também é importante evitar que o vinho permaneça muito tempo fora da refrigeração, já que as altas temperaturas podem comprometer seus aromas e sabores.

Da uva à taça

A regra geral é que o vinho branco seja elaborado a partir de uvas brancas, mas a cor da casca não é um aspecto decisivo. É possível fazer vinificação sem contato com a casca, utilizando uvas tintas, das quais o suco é delicadamente extraído e imediatamente separado das cascas, evitando a transferência de pigmentos. Esse processo é essencial para manter a cor clara e o frescor característico do vinho branco.

Ao chegar às vinícolas, as uvas são desengaçadas (retiradas do cacho) e encaminhadas para prensa. O esmagamento libera o mosto, que é transferido para tanques onde leveduras transformam o açúcar natural da uva em álcool. A fermentação do vinho branco ocorre em temperaturas mais baixas (12 °C a 22 °C), preservando o frescor e os aromas frutados.

Depois da fermentação, há a etapa do envelhecimento. Quando o objetivo é um vinho fresco para consumo jovem, esse processo é dispensado. Luiz Roberto ainda citou as principais variedades de uvas utilizadas na produção.

“Apesar da enorme variedade de uvas brancas podemos elencar como sendo principais uvas brancas das quais seus vinhos são facilmente encontrados no mercado brasileiro, são as uvas: Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Moscato, Pinot Grigio, Arinto e Alvarinho”, afirmou o sommelier.

Castas que conquistaram o mundo

A uva Sauvignon Blanc é originada na região de Bordeaux, na França. Os vinhos derivados são tipicamente jovens, intensos e secos, sendo conhecidos por sua acidez notável. Já a uva Chardonnay é da região de Chablis, onde se produzem  vinhos com características verdes e pedregosas, com muito frescor, longevidade e mineralidade envolvente.

“Outras excelentes opções de chardonnays  são os do Novo Mundo que podemos chamar de vinhos tropicais e equilibrados, caracterizados por frutas tropicais maduras. O Novo Mundo usa muito o estágio em barricas de carvalho originando vinhos com notas de mel e amanteigadas, baunilha, aromas de frutas cítricas maduras, nectarina e maracujá definem o estilo, são muito consumidos, principalmente os vinhos brasileiros, chilenos, argentinos e uruguaios”, comentou Luiz Roberto.

A uva Pinot Grigio, por sua vez, é apreciada na Itália, sendo uma opção para quem busca um vinho fácil de beber, ideal para tardes quentes e encontros informais. Já a variedade Riesling, originária da Alemanha, é uma das mais aromáticas do mundo. Dependendo do estilo, pode produzir desde vinhos secos até versões levemente adocicadas, sempre mantendo uma acidez elevada.

Fora da Europa, a Nova Zelândia revolucionou o mercado internacional com seus Sauvignon Blanc aromáticos e vibrantes, enquanto o Chile se consolidou como um dos maiores produtores de vinhos brancos. A Argentina também vem ampliando sua produção de Chardonnay, Sauvignon Blanc e Torrontés, uma variedade típica do país que oferece aromas florais intensos e ótima adaptação aos dias de calor.