Nascido da utilização do arroz para a conservação do peixe, o sushi foi transformado no maior representante da culinária japonesa

O frescor dos ingredientes e a textura do arroz macio, peixe suave, alga crocante e outros acompanhamentos, combinados em uma refeição saudável e em total contato com a milenar cultura japonesa. Assim é o sushi, nascido dentro da culinária nipônica há mais de 25 séculos, e que com o tempo foi transformado no principal retrato da técnica e da estética culinária japonesa para todo o mundo, inclusive para os brasileiros. O prato ganhou tamanha notoriedade em nosso país que tem uma data especial: no dia 1º de novembro, comemora-se o Dia do Sushi no Brasil, data criada para valorizar a cultura japonesa e a presença deste ícone gastronômico na nossa mesa. Assim como a feijoada para os brasileiros, a pizza para os italianos, o croissant para os franceses e o churrasco para os argentinos, o sushi representa a história, a cultura e a filosofia do povo japonês, sendo um símbolo de identidade nacional. Sua preparação reflete valores como respeito aos ingredientes, simplicidade, equilíbrio e estética, muito presentes na cultura japonesa. Cada peça de sushi é pensada para harmonizar sabores e textura, transformando o ato de comer em uma experiência sensorial e uma manifestação cultural, com a busca pela perfeição detalhista, seja pelas mãos de um experiente sushiman ou de um cozinheiro de fim de semana.

Das raízes ao sushi moderno

A origem do sushi remonta ao século IV a.C., em regiões do sudeste asiático, quando a necessidade de conservar peixes deu origem a um método engenhoso: prensá-los entre camadas de arroz cozido, que fermentava lentamente. Era o narezushi, um preparo que poderia levar meses até ficar pronto, com sabor forte e ácido. Com o tempo, no Japão, essa técnica ganhou novas camadas de delicadeza. O processo fermentativo foi encurtado, o arroz começou a ser temperado com vinagre e açúcar, e passou a ser consumido junto com o peixe. Foi nesse movimento, entre os séculos XVI e XIX, que nasceu a base do sushi moderno. O golpe de mestre veio com o nigirizushi, criado por Yohei Hanaya por volta de 1820, no período Edo. Na efervescente Tóquio, ainda chamada Edo, as porções de arroz moldadas à mão, cobertas por peixe fresco, preparadas para serem consumidas rapidamente. Um “street food” saboroso que conquistou os japoneses e atravessou gerações.

União nipo-brasileira

O salto do sushi diretamente de terras japonesas para o “outro lado do mundo” no Brasil se deu com a imigração em massa de famílias japonesas, no começo do século XX. Quando o navio Kasato Maru atracou no porto de Santos em 1908, trazendo os primeiros imigrantes japoneses, não vinham apenas sonhos e histórias, mas também toda a cultura de um povo. A princípio, o sushi ficou restrito às famílias nipônicas, mas, décadas depois, ganharia espaço nos cardápios urbanos.

Nos anos 1980, com os rodízios, São Paulo se rendeu de vez a essa iguaria e, a partir dali, o Brasil inteiro também. Mas com adaptações: aqui, o salmão, quase ausente na tradição japonesa, virou estrela e o cream cheese, invenção americana, encontrou plateia fiel. Um dos países que mais consomem sushi no mundo, o Brasil, segundo dados do portal Seafood de 2024, tem 16,7 mil restaurantes que trabalham com gastronomia japonesa, representando 2,3% do mercado, com um faturamento de R$ 12,8 bilhões.