Histórias de produção mostram como o trabalho no campo sustenta a cadeia alimentar até chegar ao consumidor final
O Dia do Agricultor, celebrado em 28 de julho, é um convite para olhar para o início da cadeia alimentar, valorizando os responsáveis por produzir o que consumimos diariamente. Embora os alimentos cheguem prontos às prateleiras e às mesas, nesta data lembramos que, antes disso, eles percorrem um caminho que envolve planejamento, técnica e um trabalho contínuo no campo. Fatores como a escolha de sementes, o manejo do solo e a adaptação às condições climáticas influenciam diretamente a qualidade, a disponibilidade e até mesmo o preço de cada produto. Assim, a produção agrícola vai além do cultivo, exigindo também decisões estratégicas de quem trabalha no setor. Para falar mais sobre a importância do agricultor no cultivo dos alimentos até que eles cheguem ao prato, conversamos com fornecedores que explicaram as etapas, os desafios e as curiosidades do processo produtivo.

Cenouras e tradição
O agricultor-comerciante Toshiyuki Mishima, proprietário da Cenouras Mishima, relata que trabalha na produção desde 1995, com uma trajetória que ultrapassa 30 anos. Segundo ele, ao longo do tempo, a atividade passou por diversas transformações, incluindo o uso da tecnologia e de maquinários de última geração para entregar um produto com padrão elevado de seleção. E para obter esses resultados, uma série de condições devem ser consideradas diariamente. “Hoje, temos variação de clima e também dificuldades em manter o solo sempre fértil para termos qualidade no produto final, além do grande desafio da falta de mão de obra no campo produtivo”, explica. Mishima completa que, depois dessas etapas, ainda existem processos cuidadosos para que os legumes cheguem ao mercado em condições adequadas. “Após a colheita, temos os cuidados de manuseio do produto e processos de beneficiamento para classificar as cenouras. Assim, podemos atender nossos clientes com qualidade e de acordo com a necessidade de cada um.”
do campo ao envio
O beneficiamento das cenouras envolve quatro etapas principais. Ao chegar na empresa, elas passam por um processo de hidratação antes mesmo de serem descarregadas. Depois, é feita a lavagem, para garantir um produto limpo e livre de qualquer resíduo. Para classificá-las, há uma seleção por tamanho e espessura. Por fim, os alimentos são distribuídos por uma frota totalmente equipada com câmaras frias, para assegurar o frescor durante o transporte.

Produção natural
A experiência prática e a adaptação constante têm moldado a trajetória do empresário Matheus Salvador Teixeira, que é sócio-proprietário e diretor comercial da Naturegg, fundada seguindo o princípio de produzir com naturalidade, transparência e com mais respeito ao processo. Ele conta que cresceu acompanhando o pai no dia a dia com os animais e, aos 13 anos, começou a vender os produtos do sítio na feira. Segundo Teixeira, a produção de ovos de alta qualidade exige um controle rigoroso, com foco no bem-estar das aves. Os principais obstáculos estão relacionados ao clima, como o calor e a umidade, mas eles são mitigados por meio de ambientes climatizados, coletas frequentes e redução do tempo de exposição dos ovos. Além disso, a nutrição também é tratada como pilar estratégico, desde a análise de insumos até a produção de ração em fábrica própria, para trazer padronização. O empresário destaca que os diferenciais não estão apenas no processo de produção, estendendo-se para o preparo pré-distribuição: “Diferentemente da maioria do mercado, nós não lavamos os ovos. Isso porque a lavagem remove a proteção natural da casca, reduzindo sua durabilidade e segurança. Em vez disso, utilizamos escovas especiais e sistemas de ar para remover impurezas.”

bem-estar animal
Para que os ovos cheguem ao mercado em boas condições, o sócio-proprietário xqda Naturegg afirma que o bem-estar da ave é o ponto central. Por isso, a empresa tem uma produção formada por galinhas com espaço para circular, seguindo normas de bem-estar animal e sem o uso de antibióticos. Somando isso à classificação, à padronização e ao envio com agilidade, os ovos podem chegar até o cliente no dia seguinte à postura (produção do ovo), contribuindo para aspectos como: sabor, padrão de qualidade e percepção do consumidor.

Raízes familiares
O começo do engenheiro agrônomo e produtor Júlio César Del Grossi, da Frutas Katira, também foi familiar. Após o término da faculdade e de suas especializações, ele ingressou na empresa de sua família, passando sete anos nas operações do campo e mais oito no setor comercial e no packinghouse, que é a estrutura de beneficiamento dos frutos. Com sua experiência no agronegócio, o produtor compartilha alguns dos principais aspectos do cultivo dos limões tahiti. Variáveis como o clima influenciam diretamente a produção, principalmente quando se trata dos extremos, como secas, chuvas acima da média e temperaturas altas. Ele também ressalta que a mão de obra é fundamental, já que o limão tahiti é uma cultura que depende das pessoas. “Após a colheita, os frutos são encaminhados à estrutura de beneficiamento, onde passam por uma inspeção inicial e por um período de descanso. Na sequência, seguem para as etapas de sanitização e higienização, sendo posteriormente avaliados pelo setor de controle de qualidade para garantir que atendam aos padrões exigidos antes da classificação e distribuição”, disse Del Grossi, descrevendo os processos na produção dos limões.

tecnologia em campo
Após as etapas iniciais de processamento, os limões tahiti passam por sistemas eletrônicos de classificação, utilizando a tecnologia para verificar quais deles atendem aos critérios dos clientes, como tamanho, forma e coloração. Na sequência, são organizados de maneira adequada para o transporte com uma separação logística que favorece a eficiência do envio. Para a distribuição, o controle de temperatura ajuda a manter as características do produto até chegar à mesa do cliente.
