Produzidos a partir de uvas nativas como Touriga Nacional e Alvarinho, os vinhos portugueses garantem sabor e autenticidade
Características como autenticidade e identidade são elogios valorosos quando relacionados aos vinhos. E muitas vezes são essas as qualidades que transbordam em bebidas produzidas a partir das castas de uva autóctones, variedades nativas de uma determinada região. Assim, essas uvas “regionais” ajudam a preservar a personalidade da vinícola local ao invés de depender apenas das castas internacionais mais famosas, como Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay. Um dos países de maior relevância nessa seara das uvas autóctones é Portugal. Especialistas estimam que no país existam mais de 250 castas, espalhadas em suas 14 regiões vitivinícolas. Entre as castas lusitanas mais famosas estão as tintas Touriga Nacional, Baga, Castelão e Trincadeira, e as brancas Arinto, Encruzado, Loureiro e Alvarinho. “Todas as uvas podem originar vinhos únicos e singulares. Portugal tem cerca de 252 variedades autóctones, e essa riqueza é ainda mais especial porque cada casta expressa de forma autêntica o terroir onde está inserida. É isso que buscamos: vinhos que mostrem o caráter de cada proveniência”, explica Osvaldo Amado, um dos mais respeitados e premiados enólogos da Europa, e proprietário da vinícola Casa dos Amados, no coração da região vitivinícola da Bairrada.

Casa dos amados
Um dos nomes mais reconhecidos no universo vinícola, Osvaldo Amado tem números de respeito: são quase 40 anos de experiência na produção de vinhos, mais de 700 milhões de garrafas produzidas sob sua supervisão e mais de 1.100 prêmios recebidos. À frente da Casa dos Amados, ele conta que a enologia surgiu em sua vida como uma continuação da formação como engenheiro agrícola. “Segui pela enologia, percorrendo muitos caminhos, e estradas por Portugal e pelo mundo. Foi assim que a paixão pelo vinho se consolidou e se transformou na minha vida profissional”, recorda. Um dos destaques desse novo projeto é a linha Raríssimo, que segundo ele são “vinhos que precisam de tempo, como um tinto guardado por nove, dez anos ou um espumante com dez anos de estágio”. “O objetivo sempre foi oferecer ao mercado produtos singulares, feitos sem a pressão dos grandes volumes e da lógica puramente econômica. Esse tipo de trabalho, muitas vezes, não encontrava espaço nas empresas em que estive anteriormente. Por isso, a Casa dos Amados foi a solução para tornar prática e real essa filosofia: a de criar vinhos verdadeiramente raros”, explica.
Identidade nacional
Amado conta que tem dado bastante atenção aos vinhos produzidos a partir de uma única casta de uva, os monovarietais, mesmo sendo uma pequena parte da produção portuguesa – apenas 5%, enquanto 95% são blends. Segundo ele, faz sentido mostrar que Portugal consegue produzir vinhos extraordinários a partir de cada uma dessas castas. “Quando apresentamos um vinho de uma só variedade, ele precisa ser verdadeiramente representativo da região de onde vem. Se é Baga (tinta autóctone da Bairrada), deve mostrar aromas intensos e a estrutura que lhe é típica. Se é Encruzado (branca da região do Dão), deve expressar todo o seu floral exótico. Se é um Loureiro (branca da região dos Vinhos Verdes), precisa ter frescor, acidez vibrante e longevidade. O mesmo vale para tantas outras castas”, pontua Amado. Essa identidade particular de cada uma destas uvas vai ao encontro com a exclusividade do terroir, ressalta o enólogo lusitano. “Um vinho do Alentejo não é igual a um do Douro, que por sua vez é muito diferente de um da Bairrada ou da Beira Interior. Essa diversidade é o que torna Portugal tão especial. Isso acontece em todo o mundo, mas em Portugal essa riqueza está concentrada em um território pequeno, o que acentua ainda mais a singularidade dos nossos vinhos”.
Regiões que são referência
Algumas regiões de Portugal se consolidam como referência para vinhos de alta qualidade. Osvaldo Amado destaca as uvas Baga, Arinto, Touriga Nacional e Encruzado como sinônimos da oportunidade ao setor vinícola português de mostrar ao mundo aquilo que é único e diferente. “Naturalmente, regiões como a Bairrada e o Dão se destacam pela originalidade e pela forte identidade dos seus vinhos. A Baga, o Arinto e o Encruzado, por exemplo, são castas que expressam de forma muito autêntica o caráter dessas regiões e revelam porque são consideradas grandes uvas de Portugal e do mundo”, explica.

Segundo o enólogo, as uvas mais cultivadas em Portugal nem sempre são as mais conhecidas internacionalmente. Entre os brancos, por exemplo, há castas bastante presentes como a Maria Gomes, Fernão Pires e o Sercial, além das prestigiadas Alvarinho e Encruzado. “O Alvarinho, sobretudo no Minho, é procurado pela sua textura, frescor, mineralidade e longevidade. Já o Encruzado é uma casta extraordinária pela sua finura, elegância e enorme versatilidade gastronômica. Entre os tintos, não há dúvida de que a Touriga Nacional é a grande estrela. É uma uva que se adapta bem a praticamente todas as regiões do país, ao contrário da Baga, por exemplo, que é muito mais restrita ao seu berço na Bairrada e exige condições muito específicas para atingir a excelência”, diz.
para degustar
• 1 Encruzado – Vinho D.O.C. Dão Kelman Encruzado
• 2 Arinto e Loureiro- Vinho D.O.C. Vinho Verde Casal Amado by Osvaldo Amado Arinto e Loureiro
• 3 Alvarinho- Vinho D.O.C. Vinho Verde Sub-região Monção e Melgaço Toucas Alvarinho
• 4 Baga – Vinho D.O.C. Bairrada Todos Rosé by Osvaldo Amado Baga
• 5 Rufete – Vinho D.O.C. Beira Interior Pipa Rosa by Osvaldo Amado tinto
• 6 Trincadeira – Vinho CVR Alentejo Bacalhoa Alabastro Tincadeira – Aragonez-Alicante Bousquet
• 7 Touriga Nacional – Vinho D.O.C. Douro Quinta da Romaneira Touriga Nacional
